Som Tátil

Neste post, vamos explicar nossa proposta completa para um novo projeto de design de mídia digital que explora o potencial dos sentidos.
Acesse aqui o blog de Mateus Da Silva, para acompanhar a pesquisa de minha dupla.

Nossa proposta para uma aplicação tecnológica proposta está dentro do âmbito da pesquisa acústica (incluindo o campo recém desenvolvido de sonocytology, o estudo dos sons celulares, discutida no post anterior), o escaneamento de superfícies, pesquisa relacionada com a saúde, e microscopia de escaneamento por sonda (Scanning Probe Microscopy – SPM), um ramo de microscopia que obtém imagens de superfícies utilizando uma sonda física que varre o espécime em questão.

Nossa idéia é de uma luva/interface híbrida montado no pulso que permite o usuário essencialmente escanear uma superfície desejada e receber dados relativos sobre a superfície: intitulada  Sound Contact Device – SCD . Estes dados seriam exibidos em uma tela localizada no pulso (provavelmente utilizando controle touch-screen). Em suma, o lado da palma da luva seria coberto em sondas microscópicas com membranas flexíveis (semelhantes aos usados em microfones) que captam dados sobre movimento a partir da superfície em contato . Os dados são analisados pelo dispositivo e os resultados relativos são exibidos ao usuário.

Mas como funcionaria? Antes de tudo, é importante ressaltarmos o fato de que a tecnologia por trás do SCD é muito cara, frágil, dificilmente acessível, não muito móvel ou flexível, e não tão eficaz ou precisa quanto acreditamos que o SCD seria. Mas essa mesma tecnologia está avançando rapidamente e pode muito bem aproximar-se aos parâmetros das iterações utilizadas no SCD.

O SCD usaria principalmente a tecnologia de microscópios como o Microscópio de Força Atômica (Atomic Force Microscope – AFM) e pontas microscópicas de microscópios alternativas como a sonda FIRAT – Force Sensing Integrated Readout and Active Tip probe. Primeiro vamos explicar estas tecnologias em mais detalhes, e, no final deste post, vamos resumir as suas aplicações com o SCD.

1) Tecnologia do AFM: o SCD seria semelhante às aplicações do AFM (que utiliza sentido tátil) na sonocytology por Jim Gimzewski (como discutimos no último post). A microscopia de força atômica por trás do microscópio pode ser realizada em ambos os modos de contato e sem contato, como é explicado neste artigo do Chemistry World:

“No modo de contato, a ponta de um AFM feita a partir de silício ou nitreto de silício arrasta em cima de uma superfície. A deformação causada na ponta pela força repulsiva da superfície é processada para criar uma imagem da superfície . No modo sem contato, o braço de suporte que contém a ponta é feita para oscilar a uma frequência de ressonância acima da superfície. As forças de van der Waals fracas da superfície diminuem a frequência de ressonância do braço de suporte. Essa alteração na frequência pode então ser processada para revelar a imagem com precisão atómica.”

Em outras palavras, no modo de contato: a ponta se move ao longo de uma superfície , os seus deslocamentos são registrados, e imagens tridimensionais com detalhe moleculares são criadas, geralmente utilizadas para estudar átomos, moléculas, proteínas e células vivas . No modo sem contato, a membrana com a ponta se move em direção à superfície e é puxada por forças atrativas antes que ela toque. Como um diafragma de microfone capta vibrações sonoras, a membrana recebe leituras sensoriais antes da ponta encostar.

 

Atomic Force Microscope

Um desvantagem de usar o AFM é que (em seu estado atual) ele é lento e, como explicado, a ponta precisa se deslocar na superfície, medindo cada solavanco e oco de sua membrana externa, para “sentir” a sua estrutura. Com o SCD, seria inconveniente de ter de passar a mão sobre a superfície desejada para ser capaz de digitalizá-la. É aí que usamos a pesquisa de Jim Gimzewski.

Gimzewski usou o AFM para uma finalidade diferente. Ele e seus colegas pesquisadores mantiveram a ponta em uma posição fixa, colocando ela levemente na superfície de uma membrana celular de levedura “como a agulha de uma vitrola”, para detectar quaisquer vibrações de geração de som. Eles descobriram que em sua posição fixa sobre uma superfície vibrando, a ponta segue os movimentos – agindo como um ultra-sensível detector de movimento de alta resolução. Os dados de movimento de movimentos celulares em pequena escala (nanômetros para micrômetro)s em suas membranas celulares foram convertidos em som, deixando eles “ouvir” as células.

Image of hydrogen bonds captured by the AFM.

 

A distância que a parede celular se move determina a amplitude (volume) da onda sonora, e a velocidade do movimento para cima e para baixo sua frequência, ou altura. Além disso, eles descobriram que a frequência das células de leveduras testadas foi sempre na mesma faixa de agudos, “mais ou menos um Dó-Sustenido para Ré acima do Dó central, em termos de música.” Aplicando álcool em uma célula de levedura para matá-la aumenta o tom, enquanto as células mortas emitem um som baixo, que Gimzewski acredita que é provavelmente o resultado de movimentos atômicos aleatórios. Os testes também mostraram que as células de leveduras com mutações genéticas fazem um som um pouco diferente do que as células normais de levedura.

Em outras palavras, escaneando superfícies por “ouvir” as suas células é possível ao mantenr a ponta do AFM em uma posição fixa, convertendo os dados de movimento capturados em som (formato gráfico em um arquivo de som digital), e amplificando o som para que ele esteja dentro da faixa de frequência humana, assim, “sentindo” uma célula com o AFM e interpretando o seu movimento como som e, portanto, ser capaz de identificar diferentes tipos de células.

AFM cantilever with tip.

2) Sonda Force Sensing Integrated Readout and Active Tip (FIRAT)

Em sumo, a sonda FIRAT agiria como uma extensão das capacidades do AFM. Baseada nas membranas flexíveis como as de microfones, a sonda FIRAT iria substituir a ponta do AFM e ser usada para rápido mapeamentos topográficos, caracterização de materiais quantitativa e medidas de mecânicas única-molécular.

Além do escaneamento topográfico padrão do AFM, a sonda FIRAT inspirado por microfones mede simultaneamente as propriedades dos materiais, incluindo a adesão, rigidez, elasticidade e viscosidade, com apenas um toque. É também mais sensível às características físicas da superfície, até 100 vezes mais rápida do que o AFM normal, e pode captar detalhes não possíveis com o AFM.

 

From one touch, the FIRAT probe scans material properties of a surface like (from upper left to right) topography, adhesion energy, contact time and stiffness.

Na sonda FIRAT a membrana com a ponta afiada se move em direção à amostra e é puxada por forças atrativas antes de toca. Semelhante à maneira como um diafragma microfone capta as vibrações sonoras, a membrana da sonda FIRAT começa a fazer leituras sensoriais antes de entrar em contato com uma superfície. Quando a ponta atingi a superfície, a elasticidade e rigidez da superfície determina o quanto o material empurra contra a ponta. Além de capturar apenas uma leitura de topografia da amostra, pode capturar uma grande variedade de outras propriedades do material.

AFM membrane with FIRAT probe.

>The Sound Contact Device – Um Resumo

O Sound Contact Device combinaria a tecnologia por trás do AFM e a sonda FIRAT numa luva/interface montada no pulso que permite o usuário essencialmente escanear uma superfície desejada e receber uma variedade de informações sobre ela.

O SCD é dividido em duas partes: a parte de escaneamento do lado de palma e o visor montado no pulso.

A parte do lado da palma seria revestida em uma iteração futura mais avançada da combinação membrana+ponta usada no AFM instalado com a sonda FIRAT, que irá ser mais microscópica, flexível e não tão sensível a fatores externos como as versões disponíveis no momento. Várias pontas iriam cobrir a superfície da palma (possivelmente dezenas) para permitir leituras instantâneas máximas e medidas mais precisas.

Acreditamos que as superfícies que podem ser lidas pelo SCD podem ser divididos em duas categorias, a de objetos com células vivas e objetos que serão lidos apenas a um nível atómico. Devido a isso, o SCD iria funcionar em dois modos:

A) Para superfícies com células vivas, a leitura topográfica padrão do AFM seria utilizada na aplicação na sonocytology do Jim Gimzewski de converter os dados de movimento da superfície capturados para som. Dessa forma, o objeto poderia ser simplesmente identificado pelo seu padrão de frequência único. Além de receber informações sobre as propriedades do material do objeto, a análise de som também iria revelar o estado da superfície (sua saúde).

Como a pesquisa de Gimzewski mostrou, as células saudáveis de um tipo particular produzem sons diferentes dos seus homólogos mutantes (cancerosos); células sob estresse produzem sons diferentes. E como já mencionado, há certos padrões presentes entre células do mesmo grupo/estado. Até diríamos que o SCD iria permitir que o usuário veja em qual escala musical (basicamente um arranjo de notas em qualquer sistema de música – um arranjo especifico de frequências) o objeto se encaixa. O usuário poderia saber se as células estão saudáveis (cabem em uma escala “saudável “) ou apresentam sinais de mutações.

Essa análise seria feita pelo SCD, e os resultados exibidos na tela montada no pulso. O usuário poderia ouvir os dados de som convertidos se desejar, mas o resultado final estaria convenientemente exibido.

B) O segundo modo do SCD é para o escaneamento de todas as outras superfícies, utilizando a topografia padrão do AFM aumentada pela sonda FIRAT. Quando entra em contato com uma superfície, a luva revestida de pontas do AFM iria identificar propriedades como topografia, energia de adesão, tempo de contato e rigidez.

Agora, um potencial particularmente interessante do SCD é que ele funcionaria tanto com interações de contato com superfícies e interações sem contato.

Como discutimos:no modo de contato: a ponta se move ao longo de uma superfície , os seus deslocamentos são registrados, e imagens tridimensionais com detalhe moleculares são criadas, geralmente utilizadas para estudar átomos, moléculas, proteínas e células vivas . No modo sem contato, a membrana com a ponta se move em direção à superfície e é puxada por forças atrativas antes que ela toque. Como um diafragma de microfone capta vibrações sonoras, a membrana recebe leituras sensoriais antes da ponta encostar.

Para o usuário, o que isso significaria é que o escaneamento de objetos seria possível mesmo sem totalmente tocar a superfície com o SCD. Em poucos anos os avanços nessas tecnologias podem permitir que a combinação membrana + ponta faça leituras mais detalhadas, precisas e completas de superfícies e a uma distância maior . Não sabemos se as leituras sem contato irão superar a necessidade de leituras com contato, mas é possível que as futuras versões da tecnologia membrana+ ponta possam eliminar a necessidade de leituras de contato completamente.

Talvez até mesmo a função de análise na sonocytology poderia ser possível à uma distância, permitindo que o usuário “ouça” as células sem ter que colocar o SCD fisicamente na superfície. A processo de conversão e amplificação de coleta de dados de som certamente irá evoluir nos próximos anos.

> Aplicações do SCD

Finalmente, gostaríamos de explicar nossas idéias para alguns usos práticos do Sound Contact Device. Talvez o uso mais importante dessa tecnologia é no diagnóstico de doenças (especialmente câncer) através da função de análise de som. Um usuário comum poderia simplesmente colocar a luva sobre seu corpo (a pele agindo como a superfície alvo) para o SCD ouvir suas células e exibir informações sobre a sua saúde, revelando se o usuário tem alguma doença.

O grupo considerou como o usuário iria escolher a superfície “alvo” a ser escaneada. Se o SCD pode ser realmente usado sem tocar na superfície e pode ser utilizado a uma distância da superfície desejada, então o usuário poderia obter uma lista de superfícies “legíveis” dentro de sua proximidade na tela do SCD . Em seguida, eles poderiam escolher qual superfície o SCD deve ler selecionando-a na touchscreen e em seguida os resultados das leituras seriam exibidos na mesma tela.

Mas com as múltiplas membranas com pontas sobre a luva permitindo centenas de leituras instantâneas, a possibilidade de escanear superfícies ao redor em todos os momentos é emocionante…e assustadora. Algumas restrições teriam que ser implementadas, a fim de respeitar a privacidade e leituras indesejáveis de qualquer superfície.

Outras aplicações:

– Identificar deficiências estruturais em prédios, etc. Um usuário pode escanear uma parede e determinar se a área é habitável ou está propenso a entrar em colapso.

– Como uma técnica de pseudo-ecolocalização (mas sem a necessidade de sons refletidos) para áreas escuras. Um usuário entra em uma área sem iluminação e usa o SCD para ler superfícies circundantes. Ao analisar rapidamente as propriedades materiais dos objetos ao seu redor, o SCD poderia determinar o que compõe a área apagada e produzir um mapa 3D da área, de modo que o usuário pode andar com segurança. Leituras contínuas subsequentes irão atualizar o mapa, refletindo qualquer alteração no movimento ou estado das superfícies circundantes. O mapa seria exibido na tela montada no pulso e, possivelmente, também em alguma forma de display montado na cabeça (como o Google Glass ou Oculus Rift, mas mais móvel e portátil) conectado ao SCD.

Em conclusão , um dispositivo que utiliza tecnologia semelhante à da SCD certamente tem um grande potencial . Em poucas décadas os cenários absurdos apresentados pela ficção científica de um futuro tecnológico altamente avançado podem não ser tão absurdos e estarão bem ao nosso alcance. A base para estas aplicações já existi ; tudo o que resta são refinamentos e saltos significativos em seu funcionamento e design.

-Mateus Da Silva & Haroldo Olivieri

Referências:

http://www.darksideofcell.info/bg.html

http://phys.org/news127559152.html#nRlv

http://phys.org/news11346.html#nRlv

http://phys.org/news10709.html

http://archive.poly.edu/nanosymposium/_doc/FLeventDegertekin.pdf

http://mist.gatech.edu/wordpress/research/firat

http://www.rsc.org/chemistryworld/2013/09/first-pictures-hydrogen-bonds-unveiled-afm

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3700051/

http://www.smithsonianmag.com/science-nature/signal-discovery-104663195/?page=1

-Mateus Da Silva & Haroldo Olivieri

 

Ubiquous
ubiquous.wordpress.com

Advertisements

Mudança de planos

Pelos meus últimos posts, era clara meu interesse num assunto tão abrangente e com tanto potencial, quanto o Grafeno, mas ao mesmo tempo, por ser um elemento ainda não existente no nosso dia-a-dia e, portanto, com pouquíssima utilização, decidi mudar de área de pesquisa, ao saber que poderíamos nos aventurar em campos de pesquisas que nossos colegas de turma estivessem interessados.

Desde que soube de sua pesquisa, fiquei bastante interessado e curioso em relação a pesquisa de sensores capacitivos de Mateus Da Silva –  leia seu blog aqui – para trabalhar com interfaces físicas de uma forma diferente, através das ondas sonoras.

Sua primeira referência foi o projeto Contact – um projeto de pesquisa acústica utilizando microfones de contato e análise de sonar passiva e de forma de onda para receber e processar entradas de toque.

Ele pode identificar onde uma superfície foi atingida, identificar determinados movimentos de uma mão, a interação com os dedos, etc.

Para um melhor detalhamento, procure pelo post Contact: Augmented Acoustics,  no blog de Mateus Da Silva.

A partir deste pontapé inicial, resolvemos discutir aplicações de pesquisa acústica e os nossos interesses e idéias.

 

Pensando no que poderíamos desenvolver através o trabalho com ondas sonoras e sua interpretação, encontramos um estudo muito interessante:

sonocytology – O estudo de sons celulares

Foi fundada por um químico da UCLA (University of California, Los Angeles), Jim Gimzewski, que encontrou indícios de que talvez todas as células vivas produzem ruído.

Gimzewski procurou saber se todas as células batem que nem um coração, e se essas pequenas vibrações poderiam produzir um som detectável.

Seu raciocínio era que “o som é apenas o resultado de uma força empurrando as moléculas, criando uma onda de pressão que se espalha e registrar quando atinge o tímpano,” então um ruído gerado por células pode ser detectável por um instrumento muito sensível.

O cientista teve acesso a um Microscópio de Força Atômica (AFM-Atomic Force Microscope), que usa um sensor tátil para criar imagens em 3D de superfícies em uma resolução muito alta, comumente usado para estudar os átomos, as moléculas, proteínas e células vivas.

Essencialmente, as tensões aplicadas sobre os eletrodos fazem com que a ponta se mova ao longo da superfície da amostra; seus deslocamentos são registrados e um mapa em 3D da superfície é gerado. Desse modo, a ponta de AFM pode literalmente “sentir” a estrutura da superfície, e  sentir o movimento acontecendo dentro dela.

Gimzewski utilizou o microscópio para uma finalidade diferente, ele e os outros pesquisadores mantiveram a ponta em uma posição fixa, mantendo a ponta levemente na superfície de uma membrana celular de levedura “como uma agulha de vinil,” para detectar quaisquer vibrações de geração de som.

Behind the AFM

Assim, eles descobriram que a parede celular sobe e desce três nanômetros e vibra uma média de 1.000 vezes por segundo. Esses dados de movimento foram convertidos em som , permitindo que os investigadores “ouvissem ” as células. Embora o volume do som da célula de levedura era muito baixo para ser ouvido, Gimzewski diz que sua frequência foi, teoricamente, dentro do alcance do ouvido humano .

Aplicando álcool em uma célula de levedura para matá-la aumenta o tom, enquanto as células mortas emitem um som baixo, que Gimzewski acredita que é provavelmente o resultado de movimentos atômicos aleatórios. Os testes também mostraram que as células de leveduras com mutações genéticas fazem um som um pouco diferente do que as células normais de levedura.

E porque esse resultado é importante para nós?

Descubra em nosso próximo post. 🙂

 

Possibilidades com o Grafeno

O grafeno é um material com infinitas possibilidades, ainda em estudo, e promete revolucionar diversas áreas de conhecimento. A cada dia a ciência chega mais perto de conseguir produzir folhas de grafeno em massa, o que com certeza vai mudar o mundo da forma como conhecemos.

  • Uploads mega rápidos, cerca de 1 terabite por segundo;
  •  Carregar seu celular em apenas 5 segundos;
  •  Filtros de grafeno cobertos de pequenos buracos apenas grandes o suficiente para deixar a água atravessar e para manter o sal fora;
  •  Touch screens produzidos  em plástico em vez de vidro;
  •  Tecidos que podem ser conectados diretamente a neurônios vivos para que pessoas com lesão medular possam  reaprender a usar seus membros.

 

Problemas básicos

Em qualquer circuito integrado, a mistura de materiais é inevitável, principalmente os processadores, que possuem diversas camadas alternadas de condutores, isolantes e circuitos. Ao colocar o grafeno com esses componentes, ele perde algumas de suas propriedades.

 

Mas qual o problema de já irmos imaginando boas utilizações para um futuro próximo com o Grafeno?

 

Projeções mapeadas e um possível substituto

Projeções mapeadas criam um envolvimento de quem assiste  que  os insere num ambiente mágico e cheio de possibilidades.
Porém,  a complexidade e quantidade de equipamento necessários para criar este ambiente faz com que seu uso seja bastante caro e restrito.

 

pm4pm2 pm3pm6

Exemplos de projeções mapeadas

Pense nas possibilidades de ambientes externos revestidos de grafeno, funcionando como gigantescas telas que modificam o espaço e cores de fachadas, e ainda por cima, mantido por energia solar.

Os locais poderiam modificar de acordo com a necessidade : coleções de moda, estações do ano, mudança de identidade visual, qualquer uma dessas e muito mais!

Sendo de grafeno, as instalações seriam discretas e de fácil manutenção e limpeza, já que o material é extremamente flexível e resistente.

 

Capa de invisibilidade?

E quem sabe até isso não poderia se estender para um tecnologia vestível, para camuflagem, simulando até mesmo uma capa de invisibilidade?

 

cam1 cam2 cam3cam4

Pinturas simulando invisibilidade

Esta matéria nos explica tecnicamente os atuais avanços da ciência nessa campo, e o vídeo abaixo nos ilustra todas as possibilidades 🙂

O efeito de miragem é criado a partir de uma mudança térmica em camadas de nanotubos de carbono, ou seja, Grafeno!

 

 Conclusão

Apesar de muitos estudos e buscas da ciência, ainda não é possível produzir o Grafeno com todas as propriedades que esperamos dele, e portanto, pensar em modificações e melhorias ainda não é possível e por isso, trouxe algumas possíveis utilizações em um futuro próximo.

Levando ao pé da letra o que lemos no artigo de Weiser,  o que poderia ter um design mais invisível do que uma “capa de invisibilidade” ? =P

 

 

 

 

 

 

Grafeno: suas premissas e promessas

Um material tão ou mais revolucionário do que o silício e o plástico, extremamente forte, leve, flexível, ótimo condutor de eletricidade e quase totalmente transparente.

Apresento-lhes o Grafeno!

História

Dois cientistas emigrados da Rússia – o holandês Geim, diretor do departamento de Física da universidade, e o russo-britânico Novoselov, pesquisador de pós-doutorado – começaram a pensar, em Manchester, na criação de uma substância bidimensional que servisse de opção ao silício usado em semicondutores. Decidiram fazer experiências com a grafite e buscaram obter a mais fina fatia possível desse metal para ver como funcionaria.

De modo inesperado, nos fragmentos presos em uma fita adesiva que os cientistas usavam para limpar a superfície de um bloco de grafite, surgiu o grafeno. Examinados em um microscópio atômico, esses resíduos foram testados e, já na primeira tentativa, funcionaram bem como transistores.

Potencial do Grafeno

Uma das propriedades do grafeno é a alta condutividade, para se ter uma ideia de quão rápido os elétrons passam pelo material, tenha em mente que o silício, material mais usado atualmente para produção de condutores e semicondutores, pode gerar frequências de até 20 GHz.

O grafeno alcança velocidades superiores a 200 GHz, podendo chegar a até 1 THz. Além de veloz, o material é extramente resistente e maleável. Porém, isso acontece apenas quando o supercondutor está isolado.Uma vez que o grafeno seja colocado sobre um substrato, toda essa agilidade acaba.

Isso acontece porque os elétrons, já mais lentos pela simples presença de outro condutor, perdem ainda mais energia na presença de campo eletromagnético.
Com isso, eles não têm força o suficiente para transpassar os buracos que surgem na folha de grafeno.

Mesmo que algumas empresas estejam produzindo componentes e dispositivos com grafeno, a produção em larga escala para o comércio pode demorar mais alguns anos.

Porém, nem tudo é ruim nessa história…

Possíveis Aplicações

Já existe na Espanha uma empresa que produz uma tinta a base de grafeno, que promete revolucionar a área da engenharia civil.
Suas propriedades prometem aguentar melhor as mudanças do ambiente, como temperaturas quentes e frias.
O produto se chama Graphenstone, e é feito com uma mistura de calcário em pó e grafeno.
Ele funciona como uma malha de suporte em nível molecular.

leia a matéria na íntegra.

Este vídeo faz um ótimo resumo de alguns dos incríveis potenciais deste material

Design Invisível

O artigo “The World is not a Desktop do autor Mark Weiser, que pode ser lido originalmente aqui, traz uma reflexão importante e necessária ao relacionar o estudo das ferramentas de mídia ao estudo das ciênciais sociais. Isso porque sugere a aplicação de conceitos típicos dessas ciências na visão sobre o desktop. Esses conceitos das ciências sociais são a desconstrução de ideias vistas como básicas; a análise do contexto e de diferentes pontos de vista;  e a descoberta de invisibilidades.

Apesar de só fazer essa relação claramente ao final do texto, podemos notar a presença destas ligações em todo o teor do artigo. O autor defende que a nossa premissa de valorizar o visível precisa ser desconstruída, pois o ideal seriam ferramentas cada vez mais invisíveis, as quais cumprem seus papéis sem se tornarem o centro das atenções.

Para chegar a essa conclusão, o autor analisa o próprio ser humano. Ao longo das épocas tem sido objeto de desejo o computador humano, que se comunica como tal e possui uma inteligência similar. Essa plataforma seria de longe invisível, se tornando a atração em si. Porém, Weiser discute se isso é funcional – o ser humano não é simples de lidar e as dificuldades de relacionamento se estenderiam ao uso do computador.

Outra análise do autor é sobre a realidade virtual. Segundo ele, no intuito de buscar uma interação que simule a não utilização de ferramentas, o resultado é uma atenção exagerada à interface em detrimento da realidade. E novamente o que se valoriza é a visibilidade.

Oculus Rift – Exemplo de ferramenta de realidade virtual que mostra a dificuldade da abstração da presença dessa tecnologia.

 

O intuito do autor não é que essas pesquisas sejam abandonadas, mas que técnicas de invisibilidade sejam mais exploradas. Ele sugere inclusive que se abandone o computador da forma como o conhecemos.

Ou seja, trazendo uma discussão prática sobre a importância da invisibilidade da ferramenta, para que esta não domine a atenção e se torne cada vez menos funcional, o autor consegue relacionar ciências sociais e design , de uma forma multidisciplinar que só vem somar ao campo. É importante desconstruir conceitos, visões, pontos de vista, contextos, mesmo que vistos como básicos. Apenas assim se cria a inovação que traz a tona ideias jamais imaginadas.

Ou seja, pensar fora da caixa!

Os sentidos do Design

A presença dos 5 sentidos em nossa vida é algo tão natural, que passa quase que despercebido. Nossa dependência a eles é algo tão natural que quando os vemos empregados em algo que não esteja em nossa rotina, se torna algo grandioso. Ironicamente, é algo simples e genial.

Quando o designer se preocupa com o sensorial, ele abre portas para um interação humano-objeto, que muitas vezes é o ponto de partida para a inspiração de outros projetos que, por conta de uma “competição pelo melhor”, trazem novidades e diferenciais para o usuário. Além disso, se o objetivo de um projeto for alcançar a melhor experiência possível em todos os 5 sentidos, o aspecto visual não será deixado de lado, muito pelo contrário, será uma consequência.

Em uma palestra para o TED, o designer Jinsop Lee compartilha sua teoria do design dos cinco sentidos, com um gráfico que ele criou para mensurar o cuidado com cada um dos sentidos em diferentes formas de design. Sua esperança é nos inspirar a notar grandes experiências multissensoriais.

Exemplo do uso do gráfico de Jinsop Lee, com diferenciais sensorias do Nintendo Wii, que abriu portas para um novo tipo de interação humano-console

Diferenças sensorias entre tipos de mídia

Diferenças sensorias entre tipos de mídia

 

 

 

 

 

 

Assim como ele, acredito que fazer qualquer coisa, sempre se preocupando com a experiência, é o caminho para ter um produto tão perto da perfeição quanto possível.